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Servidores NGINX Alvo de Campanha de Ciberataques para Desvio de Tráfego

4 min de leituraFonte: BleepingComputer

Pesquisadores identificam campanha ativa que compromete servidores NGINX para redirecionar tráfego de usuários. Saiba como detectar e mitigar riscos de interceptação de dados e ataques MITM.

Servidores NGINX Explorados para Redirecionar Tráfego de Usuários em Ciberataque em Andamento

Pesquisadores de segurança identificaram uma campanha ativa na qual agentes de ameaças comprometem servidores NGINX para sequestrar e redirecionar o tráfego de usuários por meio de infraestrutura controlada por atacantes. A operação, que ainda está sob investigação, representa riscos significativos de interceptação de dados, roubo de credenciais e distribuição secundária de malware.

Visão Geral do Ataque

A campanha tem como alvo servidores NGINX vulneráveis ou mal configurados, uma plataforma amplamente utilizada como servidor web e proxy reverso. Uma vez comprometidos, os atacantes modificam as configurações do servidor para redirecionar o tráfego legítimo para endpoints maliciosos. Essa técnica permite que os adversários interceptem dados sensíveis, injetem payloads maliciosos ou realizem ataques man-in-the-middle (MITM) contra usuários desavisados.

Embora os métodos específicos de exploração ainda não tenham sido divulgados, vetores comuns de ataque para comprometer servidores NGINX incluem:

  • Interfaces administrativas expostas (ex.: credenciais padrão, autenticação fraca)
  • Versões desatualizadas de software com vulnerabilidades não corrigidas
  • Regras de proxy reverso mal configuradas que permitem acesso não autorizado
  • Ataques à cadeia de suprimentos por meio de módulos de terceiros comprometidos

Análise de Impacto Técnico

O mecanismo de redirecionamento de tráfego opera no nível do servidor, tornando a detecção desafiadora para os usuários finais. Os principais riscos incluem:

  1. Exposição de Dados: O tráfego interceptado pode conter informações sensíveis, como:

    • Credenciais de autenticação
    • Cookies de sessão
    • Dados de cartões de pagamento (se o processamento ocorrer em servidores afetados)
    • Comunicações empresariais proprietárias
  2. Exploração Secundária: Usuários redirecionados podem ser expostos a:

    • Downloads de malware (ex.: infostealers, ransomware)
    • Páginas de phishing
    • Scripts de cryptojacking
  3. Dano à Reputação: As organizações podem enfrentar:

    • Perda de confiança dos clientes
    • Violações de conformidade (ex.: GDPR, PCI DSS)
    • Degradação da marca devido a redirecionamentos maliciosos

Recomendações de Detecção e Mitigação

As equipes de segurança devem priorizar as seguintes ações:

Resposta Imediata

  • Auditar configurações do NGINX em busca de modificações não autorizadas, especialmente em:
    • nginx.conf e arquivos de configuração incluídos
    • Regras de proxy reverso (proxy_pass)
    • Definições de blocos de servidor (server {})
  • Revisar o tráfego de rede em busca de conexões de saída inesperadas para IPs ou domínios desconhecidos
  • Rotacionar credenciais para todos os serviços relacionados ao NGINX, incluindo:
    • Interfaces administrativas
    • Conexões com bancos de dados
    • Chaves de API

Endurecimento de Longo Prazo

  • Atualizar o NGINX para a versão estável mais recente, corrigindo vulnerabilidades conhecidas (ex.: CVE-2022-41741, CVE-2021-23017)
  • Implementar acesso com privilégios mínimos para processos e administradores do NGINX
  • Implantar monitoramento de integridade de arquivos (FIM) para detectar alterações não autorizadas nas configurações
  • Habilitar registro e monitoramento para:
    • Modificações em arquivos de configuração
    • Padrões de tráfego incomuns (ex.: picos em redirecionamentos)
    • Tentativas de autenticação falhas
  • Segmentar servidores NGINX de redes internas críticas para limitar o potencial de movimento lateral

Proteções no Lado do Usuário

  • Educar os usuários para reconhecer sinais de sequestro de tráfego, como:
    • Avisos inesperados de certificados SSL/TLS
    • Redirecionamentos para domínios desconhecidos
    • Comportamento de navegação lento ou incomum
  • Aplicar HTTPS com HSTS (HTTP Strict Transport Security) para mitigar riscos de MITM

Contexto do Setor

O NGINX é utilizado em mais de 30% dos servidores web globais, tornando-se um alvo de alto valor para agentes de ameaças. Campanhas semelhantes já exploraram vulnerabilidades como:

  • CVE-2019-20372: Vulnerabilidade no resolvedor do NGINX que permite envenenamento de cache
  • CVE-2017-7529: Estouro de inteiro no módulo de filtro de intervalo do NGINX

As organizações são aconselhadas a tratar os servidores NGINX como ativos críticos que requerem monitoramento contínuo e endurecimento proativo. Mais detalhes sobre as metodologias de ataque são esperados à medida que as investigações avançam.

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